QUEM CALA CONSENTE: O SILÊNCIO QUE CUSTA CARO À SOCIEDADE

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O SINTJAM vem a público manifestar não apenas o seu repúdio à Resolução nº 15/2026 do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), mas também denunciar o preocupante silêncio de grande parte dos veículos de comunicação do nosso estado.

O privilégio acima da lei

Em um momento de profunda decadência moral das instituições, onde o país clama por austeridade, o TJAM ignora as diretrizes do STF para criar a PVTAC — um novo "penduricalho" que eleva os salários da magistratura. Este benefício promove uma perigosa mistura entre o privado e o público, ao permitir que o tempo de advocacia privada seja utilizado para inflar vencimentos pagos com recursos do Estado. Tal manobra rompe a lógica da carreira pública e fere gravemente os princípios da legalidade e da moralidade administrativa.

O abismo entre cúpula e base

Enquanto a cúpula do Judiciário se articula para garantir vantagens financeiras céleres, os servidores do tribunal enfrentam uma realidade de sobrecarga de trabalho, salários defasados e dificuldades estruturais. Não há "dinheiro público" que caia do céu; o que existe é o dinheiro do contribuinte, suado e retirado da mesa do trabalhador através de impostos, que deveria ser investido na melhoria do serviço para o cidadão, e não em privilégios exclusivos.

Onde está a imprensa?

O que mais estarrece o SINTJAM é o apagão informativo. A imprensa, que deveria ser o "cão de guarda" da sociedade e mostrar a realidade, parece ter se tornado refém de interesses que calam a verdade:
Interesses Econômicos: Portais que mantêm contratos vultosos com o próprio Tribunal.

Medo de Retaliação: O receio de entrar em rota de colisão com o tribunal que julga os processos dos próprios portais e jornalistas.

Quando a imprensa se omite por medo ou conveniência, ela abandona o seu papel social e prejudica diretamente a fiscalização do sindicato e o olhar atento e crítico da sociedade. O direito à informação é um pilar da democracia, e ele está sendo asfixiado no Amazonas por relações de dependência que impedem a divulgação de factos de extrema relevância pública.

A nossa luta continua!

O SINTJAM não se calará. Seguiremos denunciando ao CNJ e ao STF essa afronta ao teto constitucional e essa luta desleal. A sociedade amazonense merece saber para onde vai o seu imposto. Se os portais se calam, a nossa voz será pronunciada ainda mais alta.

Roberto Dávila
Coordenador Geral do SINTJAM